Somália: “mantendo a fé cristã em segredo”

Na Somália, a perseguição aos cristãos se caracteriza tanto pela pressão extrema como pela violência

A Somália é conhecida por ser hostil aos cristãos. O país ocupa a 3ª posição na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2020. Desde que a lista começou a ser publicada, em 1993, a Somália está entre os 50 países onde os cristãos são mais perseguidos.

A perseguição é severa para cristãos ex-muçulmanos. Eles podem até ser decapitados se forem descobertos. A população muçulmana equivale a 99,9%. De acordo com líderes religiosos islâmicos: não há lugar para cristãos no país. Outros líderes comunitários veem os cristãos como um elemento estranho em seu país, como uma ameaça.

Embora possa haver centenas de cristãos entre os 15,6 milhões de habitantes do país, o caráter intensamente tribal da sociedade somali significa que qualquer muçulmano que se converta ao cristianismo será imediatamente detectado e corre o risco de morrer.

Todos os grupos tribais se identificam como muçulmanos. No país não há lugares seguros para os cristãos praticarem a fé. A comunidade e os membros da família perseguem qualquer um que deixe o islã.

Lista Mundial de perseguição 

A LMP avalia a pressão sobre os cristãos em cinco esferas da vida. A Somália atinge uma pontuação próxima da máxima (16,7) em todas as categorias. A pressão na vida privada é 16,5; na família é 16,7; na comunidade, 16,6; na nação, 16,6; e na igreja, 16,5; a pontuação de violência é 9,4. O país totaliza 92 pontos.

Extremistas islâmicos

Houve um renascimento da militância islâmica, levando ao crescimento de organizações muçulmanas militantes baseadas em clãs, das quais a mais forte é o Al-Shabaab. O grupo continua forte o suficiente para realizar ataques mortais até mesmo na capital Mogadíscio, sede do governo federal. Os Estados Unidos têm feito ataques aéreos contra o Al-Shabaab, mas esses não tiveram êxito em produzir os efeitos esperados.

A perseguição é um fenômeno nacional. Os cristãos não têm espaço nem proteção seja na comunidade ou no governo. O governo eleito em 2017, conseguiu sobreviver em 2018 e 2019 com a ajuda de tropas da União Africana apoiadas pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Em maio de 2019, a ONU não renovou o mandato da sua missão no país até as eleições nacionais em 2020. Pode-se esperar que o Al-Shabaab continue mirando os cristãos ex-muçulmanos como suas vítimas e que nenhuma das igrejas destruídas seja reaberta tão cedo.

O mais admirável é que os cristãos na Somália chegaram à fé sabendo de todos esses desafios. Eles às vezes pagam o preço final: a morte. Um pesquisador de campo do Portas Abertas atesta a perseverança dos cristãos somalis: “Em meio aos tempos mais difíceis de perseguição e execução dos cristãos, eles permaneceram firmes, mantendo a fé cristã em segredo”.

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