Predestinação – J. D. Pentecost

Predestinação

J. Dwight Pentcost

Romanos 8.28-39

Poucas
doutrinas na palavra de Deus deram causa a tanto calor e tão pouca luz como a
da predestinação. Ela vem dividindo há séculos os estudiosos das Escrituras, e
os teólogos têm o hábito de se classificarem com base na interpretação desta
doutrina. De um lado enfileiram-se aqueles que dão ênfase ao amor de Deus e ao
livre-arbítrio do homem, privando Deus da autoridade soberana sobre a Sua
criação e do direito de predeterminar o destino de Suas criaturas. Enquanto do
outro lado, ficam aqueles que dão tanta ênfase ao programa predeterminado por
Deus que quase o removem da cena e tudo funciona de acordo com uma lei fixa e
inexorável, entregando-nos às garras do fatalismo. Queremos apresentar um meio
termo em relação a esses dois extremos, mostrando aquilo que acreditamos ser o
ensinamento das Escrituras a respeito desta importante doutrina.

Estas doutrinas da Palavra de Deus não foram dadas para confundir
ou obscurecer o pensamento dos filhos de Deus, pelo contrário, foram dadas para
nosso conforto e encorajamento. Por não entendermos a atuação de Deus na
predestinação, perdemos uma das confortadoras doutrinas de Sua palavra. A
tendência, por parte dos homens, tem sido a de tentar racionalizar as Escrituras
e determinar como eles julgam que Deus deve agir, em lugar de examinarem as
Escrituras para ver o que elas dizem a respeito do modo de agir de Deus. É a
tendência de humanizar a Deus! Isto é, confinar Deus dentro dos limites de
nosso pensamento e impedir que Ele atue além das restrições a que estamos
sujeitos. Mas a Palavra de Deus não o coloca dentro das limitações humanas, nem
oculta a verdade pelo fato de ela, eventualmente, projetar-se para além da
capacidade de compreensão da mente humana. Quando chegamos à predeterminação e
às doutrinas a ela relacionadas, estamos tratando de coisas que a mente do
homem é incapaz de compreender. Seria impossível a um Deus infinito manter-se
confinado aos limites da mente finita, assim como é impossível a um vaso conter
o oceano. Com nossas mentes restritas, estamos tentando compreender a mente de
um Deus eterno e infinito. É nossa convicção básica, ao nos aproximarmos das
Escrituras e dessas importantes doutrinas, que Deus é maior que a mente do
homem. Possa o Espírito de Deus livrar-nos de nosso preconceito e das
restrições que naturalmente faríamos a Ele, por causa das limitações a que
estamos sujeitos, e nos dar a compreensão da obra do Deus que tudo faz para Sua
própria glória.

É impossível considerar a doutrina da predestinação sem estudar
algumas doutrinas e palavras relacionadas a ela. Para muitos de nós, palavras
como preordenação, predeterminação, premonição, eleição, predestinação e
chamado, são permutáveis ou sinônimas. Doutrinariamente, cada uma destas palavras
tem um significado específico, cada uma contribui de certo modo para nossa
compreensão da obra de Deus ao glorificar-Se a Si mesmo. Enquanto não pudermos
descobrir o processo lógico revelado através delas, nossos pensamentos serão
sempre confusos. Apesar de não haver uma progressão cronológica, existe uma
progressão lógica na execução do plano e no propósito eterno de Deus.
Gostaríamos de sugerir uma ordem lógica para o estudo dessas importantes
palavras; quando perfeitamente compreendidas teremos então uma idéia clara do
desenvolvimento do plano eterno de Deus.

Quero começar com a palavrapreordenação
ou “ordenado previamente”. A idéia é de que algo foi antecipadamente ordenado,
ou “estabelecido antecipadamente”. Contida nesta palavra está a idéia que Deus
possui a capacidade de prover, com infinita precisão, as coisas necessárias
para que o Universo por Ele criado possa continuar em seu avanço. Deus planejou
todos os detalhes antes da criação. Ele não criou e depois sentou-se para
decidir o que faria com aquilo que havia criado. Como um Arquiteto cuidadoso,
Deus planejou como cada parte e cada membro da criação seriam usados. Esta
verdade nos é apresentada em Esios 1.4 onde o apóstolo nos lembra que Deus
nos escolheu nEle (isto é, em Cristo) antes da fundação do mundo: o propósito
de Deus foi determinado antes do Ato da criação. A isto daríamos o nome de
“preordenação”. O universo não foi um acidente, nem seu programa deixado ao
acaso depois de criado. Mas Deus tinha um propósito e um plano determinado, e a
seguir escolheu os elementos exatos que seriam usados na execução desse plano.

Reconhecemos que Deus, onisciente que é, sabia da possibilidade do
mal mesmo antes que existisse a criação. Deus sabia que o mal se oporia à Sua
santidade, mas não foi o responsável por ter ele penetrado em Sua criação. Deus
não foi o responsável pelo mal existente, entretanto foi o Arquiteto do plano
que incluía o mal em si. Deus não foi tomado de surpresa quando Lúcifer se
rebelou contra Ele, nem quando Adão se rebelou, nem quando foi preciso aplicar
a toda criação as palavras: “Não há um justo, nem sequer um” (Rm 3.10). Assim,
operando debaixo de um plano predeterminado, Deus executou todos os detalhes
necessários para o cumprimento desse plano. Em Esios 1.5, Paulo nos diz que
Deus faz todas as coisas “segundo o beneplácito de sua vontade”; e no verso 11,
Ele faz tudo “segundo o propósito daquele que faz todas as coisas, conforme o
conselho de sua vontade”. Descobrimos, pois que antes de qualquer ato da
criação, Deus predeterminou o plano, o programa e o modo pelo qual esse plano e
esse programa seriam cumpridos. O propósito de Deus era a Sua própria
glorificação; ele designou então a espécie de ser que deveria receber a
revelação da Sua glória, e qual o ente que seria necessário para atribuir-lhe
glória, majestade, Domínio e poder. Como seria insensato se uma congregação
instituísse um programa de construção e começasse a pô-lo em prática sem Ter
antes feito a planta do prédio. Que tipo de edificação teríamos se a comissão
responsável anunciasse que num determinado sábado, cada membro seria convidado
a levar algum material de construção para o terreno e ali lhe seriam fornecidas
a argamassa e os pregos, e tudo o que levasse seria incorporado à construção?
Que monstruosidade se ergueria naquele terreno! O mesmo se aplica a Deus. Ele
predetermina Seu propósito, Seu alvo, Seu objetivo e a finalidade da criação;
depois então apresenta o programa para o cumprimento desse propósito e
objetivo. Paulo torna isso claro em 1 Coríntios 2.7: “Mas falamos a sabedoria
de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade
para a nossa glória”. Neste verso descobrimos que a preordenação está ligada ‘a
determinação de um plano antes que este seja posto em execução.

A segunda palavra que contribui para nossa compreensão da obra de
Deus é “decreto”. Ela não aparece
nas Escrituras com referência a Deus, mas segundo o uso na Teologia, essa
palavra significa o ato pelo qual Deus estabeleceu a certeza daquilo que
planejou, ou, numa palavra predeterminou. Pela preordenação Deus determina qual
será o programa. Pelo Seu decreto estabelece a certeza daquilo que preordenou.
O arquiteto que fez os plano para a construção de nossa igreja submeteu esse
plano à comissão responsável. Esta se reuniu para estudá-lo. Tivemos uma idéia
geral do custo da construção inicialmente escolhida e por decisão unânime da
comissão foi rejeitado. O projeto era bom, mas não satisfazia nossas
necessidades e a comissão pediu ao arquiteto que apresentasse outro plano,
sendo este aprovado por todos. Foi então pedido a ele que executasse esta
última idéia, e agora estamos gozando os resultados dessa construção.

Deus tinha provavelmente uma série de opções a respeito de como
executar seu propósito e programa, mas resolveu-se afinal por um determinado
plano e um propósito: e, através de um decreto irreversível adotou-o como Seu
plano, Seu objetivo e Seu programa. No livro de Jó, capítulo 22, verso 28,
vemos estabelecido o princípio de um decreto: “Se projetas alguma cousa, ela te
sairá bem…” O decreto de um rei finaliza o curso de uma ação. Quando Deus
decretou o curso de uma ação, isto finalizou, solidificou o Seu plano e
limitou-o a seguir esse curso específico na execução de Seu objetivo de
glorificar a Si mesmo. Na profecia de Daniel 11.36 lemos: “Este rei fará
segundo a sua vontade, e se levantará e se engrandecerá sobre todo deus; contra
o Deus dos deuses, falará coisas incríveis, e será próspero, até que se cumpra
a indignação; porque aquilo que está determinado será feito”. Em Lucas 22.22
encontramos a seguinte declaração: “Porque o Filho do homem, na verdade, vai
segundo o que está determinado, mas ai daquele por intermédio de quem ele está
sendo traído!” A palavra “determinado” nesta passagem se refere ao decreto de
Deus pelo qual Ele estabeleceu o que Jesus Cristo faria durante Seu ministério
terreno, em Sua vida e em Sua morte.

É a este fato que Pedro se refere no Livro de Atos quando,
pregando ao povo de Israel, ele diz: (2.23) “sendo este entregue pelo
determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por
mãos de iníquos”. E, outra vez, na mesma disposição de espírito, lemos
(4.27-28): “…porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o Teu
santo servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e
povos de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito
predeterminaram”. Deus havia preordenado um certo programa, depois estabeleceu
a certeza e a irreversibilidade desse programa, emitindo um decreto quanto a
sua execução. O apóstolo, proclamando os fatos a respeito da morte de Cristo,
mostra que ela não foi acidental, pois Cristo não se submeteu primeiramente à
vontade dos judeus, nem à dos gentios; mas que tanto uns como os estavam realizando
aquilo que Deus —havia preordenado o curso dos acontecimentos — tinha resolvido
e estabelecido por Seu decreto. Na preordenação, Deus estabelece o plano e o
programa; e, por Seu decreto e Seu conselho determinativo, Ele estabelece a
certeza desse programa.

Isto nos leva, logicamente, à terceira palavra que contribui para
nossa compreensão da obra de Deus — “presciência”.
Temos de fazer uma distinção nas Escrituras entre a onisciência de Deus e o que
Ele prevê. Deus é um Deus de sabedoria, que conhece perfeitamente o curso dos
acontecimentos passados, presentes e futuros. Deus é um Deus onisciente, mas a
presciência não é sinônimo da onisciência de Deus. A presciência, conforme seu
uso nas Escrituras, se refere àquilo que Deus sabe com certeza que vai
acontecer porque Ele mesmo ordenou esse evento. Deus sabe todas as coisas, não
só por ser um Deus onisciente, mas porque por Seu decreto decidiu e estabeleceu
o que virá a suceder em cumprimento ao Seu programa preordenado. Presciência,
então, é o resultado da preordenação de Deus, ou decreto de Deus, do que
deveria acontecer. Deus não prevê apenas o que irá acontecer, mas também as
pessoas que serão usadas como instrumento no cumprimento de Seu plano e
programa. A presciência não está ligada apenas ao que vai acontecer, mas
abrange igualmente quem está incluído no programa de Deus.

O apóstolo tem este fato em mente quando escreve aos Romanos,
dizendo (8:29): “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou
para serem conformes à imagem de seu Filho.. ” Talvez seja em relação a
este verso e à palavra “presciência” que nos defrontamos com a maior
dificuldade em nossa interpretação. Uma interpretação largamente aceita é que
Deus elegeu aqueles que Ele sabe que irão aceitá-lO como Salvador, aqueles que
depositarão sua fé em Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo. Deus está então sujeito
aos caprichos da vontade humana e não pode agir sobre ela, nem ultrapassar os
limites dessa vontade. Entretanto, o que o apóstolo escreve em Romanos 8:29 é
que Deus sabe com toda certeza quem será incluído em Seu plano, porque Ele
preordenou e decretou que essas pessoas fossem incluídas.

Encontramos a mesma verdade apresentada em 1 Pedro 1 .2, onde o
apóstolo diz que fomos eleitos de acordo com a presciência de Deus. Quero
destacar agora aquilo que Pedro não disse. Ele não disse que somos eleitos por
causa da presciência de Deus; isto é, Pedro não está dizendo; “Deus olhou para
a raça humana e ex­clamou: ‘Vejo fé e escolherei aqueles em quem vejo fé’”. Ao
contrário, Pedro ensina que fomos “eleitos segundo a presciência de Deus.. .“ A
eleição está de acordo com a presciência, não é feita por causa dela nem
baseada nela. A presciência não diz nada do que Deus sabe que o indivíduo fará,
mas se refere àquilo que Deus sabia que iria fazer com os homens. Deus
preordenou, isto é, Ele fez o plano. Através do Seu decreto, ou por Sua
determinação, Ele estabeleceu, solidificou e finalizou o plano.
Conseqüentemente, Deus, na Sua presciência, sabe o que fará, por causa de Sua
preordenação e Seu decreto.

Isto nos leva à quarta palavra importante, “eleição”, que
significa “escolher”. Refere-se à
seleção e à separação para Si mesmo. A eleição se refere à escolha de pessoas
através das quais será cumpri­do o propósito divino estabelecido pela
preordenação. Deus vai agir para a Sua própria glória, mas o fará através de
pessoas que separou para Si mesmo. Eleição é pois a obra soberana de Deus,
segundo o Seu propósito e vontade, predeterminada por Sua preordenação, na qual
Ele seleciona aqueles através dos quais o desígnio divino será cumprido.
Voltemos agora a Esios 1:4 fomos escolhidos em Cristo, antes da fundação do
mundo, para que pudéssemos ser santos e imaculados diante dEle.

A eleição é obra de Deus. Não é o caso de a pessoa escolher a
Deus, e Deus, como resposta de sua parte, a esta escolha, elegê-la. Descobrimos
esta verdade, no livro de Romanos onde, falando a respeito da eleição de Israel
como nação, o principio divino na eleição tornou-se muito claro, O apóstolo diz
(9:11-13) “E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o
mal (para que o propósito de Deus quanto à eleição prevalecesse, não por obras,
mas por aquele que chama), já lhe fora dito a ela:

O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei a
Jacó, porém me aborreci de Esaú”. Esta passagem é muito importante para o
entendimento da doutrina da eleição. Você pode notar que é Deus quem elege;
mais ainda, a eleição estava baseada na vontade soberana de Deus. Não era sua
reação ao que existia de bom ou de mau no eleito, pois esta eleição teve lugar
enquanto os gêmeos ainda se achavam no ventre materno, antes que tivessem
praticado o bem ou o mal como base para sua escolha ou rejeição. A eleição era
cumprimento do desígnio de Deus. Seu plano preordenado foi a razão da eleição
de Jacó. Deus separa aqueles através dos quais Seu programa será cumprido.

Esta palavra deu lugar a muitas interpretações erradas, pois a
idéia que geralmente se faz é a de um Deus caprichoso, que chama todos os
homens (que estão em estado neutro) diante de Si, e arbitrariamente, diz a
alguns deles: “Eu o aceito”, e aos restantes diz:

“Eu os condeno ao inferno eterno”. Observe que quando Deus
elege, Ele o faz dentre os que estavam perdidos. A escolha não separa alguns
para o céu e outros para o inferno. Achando-se todos sob condenação, ela separa
alguns homens, e esses cumprirão o programa e o propósito de Deus. A eleição é,
pois, uma obra da graça divina, porque todos os homens estavam debaixo da
maldição e da ira de Deus. Para cumprir Seu programa predeterminado,
preordenado e já estabelecido, Deus selecionou os instrumentos de sua
preferência, através dos quais esse objetivo e programa seriam cumpridos. A
manifestação da graça infinita de um Deus infinito é o fato de qualquer pessoa
vir a ser escolhida.

A palavra que se segue à eleição é “predestinação” cujo significado é “determinar
antecipadamente”. Isto se refere à finalidade pela qual os que foram eleitos
são separados. Esta palavra, quando usada nas Escrituras, sempre se define por
uma declaração do propósito ou o alvo que se tem em vista. Em Esios 1:4-5
lemos:

“Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para
sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para
ele, para a adoção de filhos. . .“ Ele nos predestinou —e com que fim ou
objetivo? Para adoção de filhos. Note ainda no verso 11: “Nele, digo, no qual
fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz
todas as cousas, conforme o conselho da sua vontade”. Predestinou — com que
fim? Para a obtenção de uma herança. Veja Romanos 8:29: “Porquanto aos que de
antemão conheceu, também os predestinou (e com que fim?) para serem conformes à
imagem de seu Filho. . .“ Ou, veja novamente em 1 Coríntios 2:7 onde fomos
predestinados para a glória. O apóstolo diz: …. . a qual Deus preordenou
desde a eternidade para a nossa glória”. Com base nestas passagens devemos
salientar ainda uma vez o fato importante de que quando a idéia de
predestinação é usada nas Escrituras, ela determina uma finalidade, ou o
objetivo visado em relação àqueles que Deus elegeu para Si mesmo. Não encontro
lugar algum nas Escrituras onde seja dito que fomos predestinados para a fé,
predestinados para crer, ou que tenhamos sido predestinados para aceitar a
Cristo. Não — nós fomos predestinados para a glória. Fomos predestinados para a
filiação ou herança.

A palavra “predestinar” é logicamente seguida pela palavrachamado”, que deve ser entendida em sua
designação normal, no sentido de que Deus chama para Si aqueles que previu, os
que elegeu, os que predestinou. O chamado de Deus aos seus eleitos —que foram
predestinados para a glória — é o resultado da preordenação de Deus. Ele cuida
para que seu propósito seja cumprido. Aqueles que escolheu para Si serão
conduzidos até Ele, para que seu programa já traçado e predestinado possa ser
levado à consumação. O apóstolo, em Romanos 8:30 diz: “E aos que predestinou, a
esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que
justificou, a esses também glorificou”. O chamado então é uma convocação para
Ele mesmo, porque foram predestinados para a glória por Seu propósito e
programa preordenados.

O chamado de Deus não se subordina à vontade humana, pedindo ao
homem que atenda de acordo com sua vontade, sem o auxílio da graça divina. O
chamado de Deus inclui também a capa-citação divina. O Senhor que faz o
chamado, concede o poder, através do ministério do Espírito Santo, para que
esse chamado seja atendido, de modo que o pecador que está morto, sem vida, sob
condenação e julgamento, possa ouvir a voz de Deus; e embora não tenha poder em
si mesmo, porque está morto, e não queira responder, porque Deus foi afastado
de Sua vida, ele é capacitado pelo Espírito Santo para atender a esse convite
da graça: “Quem quiser pode vir”. Cristo tornou bem claro que o chamado
era parte do programa e intenção de Deus, pois, em João 6:44 Ele explica:

“Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer… E
este trazer do Pai é o chamado que Ele faz aos que foram eleitos pela graça de
Deus, àqueles que foram predestinados ou separados para a glória, os que Deus
previu que seriam instrumentos no cumpri­mento de Seu desígnio preordenado,
estabelecido e assegurado pelo decreto eterno e imutável de Deus.

Isto significa que o pecador não tem responsabilidade? Muito longe
disto, pois Cristo morreu pelos pecados do mundo. Cristo fez uma propiciação,
ou cobriu os pecados do mundo. Nosso Senhor disse: “Porque Deus amou o mundo de
tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê
não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). O “todo aquele” é ilimitado.
Enquanto só aqueles que Deus chamou responderão a esse chama­do, o convite é
extensivo a todos os homens. Todos são passíveis de salvação pela morte de
Cristo, mas apenas atenderão aqueles que Deus chamou pela Sua graça eficaz.

Se você está sem Jesus Cristo, uma única coisa o separa dele, é a
sua resposta espontânea ao convite que Deus faz quando diz: “Para que todo
aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Se você conhece Jesus
Cristo como seu Salvador, o desejo de seu coração será aquele citado por Pedro
em sua segunda carta, capítulo 1, verso 10: “. . . procurai, com diligência
cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição.. .“ O Filho de Deus que
cresce na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cris­to, e
que se submete ao Deus e Pai através de Cristo, evidencia em si mesmo que é
verdadeiramente um filho de Deus.

A meu ver, a verdade que apresentamos é uma das mais confortadoras
doutrinas da Palavra de Deus. Alegramo-nos em saber que nada acontece por
acaso. Não somos criaturas sujeitas às circunstâncias, dependentes da sorte. A
“boa sorte” não se aplica aos filhos de Deus. Um Deus infinito e soberano
preordenou cada minuto de nossa vida antes da fundação do mundo. Deus
estabeleceu Seu propósito e Seu programa através de Seu decreto inalterável.
Deus prevê exatamente o que acontecerá em cada momento de nossas vidas, porque
tudo foi determinado de acordo com Seu desígnio. Deus nos elegeu, não porque
tivéssemos feito alguma coisa, mas porque convinha ao Seu propósito infinito.
Deus, que nos elegeu, nos separou pela predestinação para compartilharmos
eterna­mente de Sua glória. Deus, pela graça infinita, nos chamou das trevas
para o Seu amor, da morte para a Sua vida, e nos separou para Si mesmo, não por
aquilo que somos, mas por estarmos incluídos no Seu propósito eterno e
soberano. A cada momento de cada dia estamos sob Seu cuidado, porque ele opera
sempre conforme o conselho da Sua vontade, para que sejamos encontrado no
louvor da glória da Sua graça. Isto nos sustenta e nos dá confiança.

(PENTECOST, J. Dwight. A sã
doutrina. 2 ed. Cap XIII, p. 119-127. São Paulo, Associação Religiosa Editora Mundo
Cristão, 1981)

Enviado por Rubens Cartaxo Júnior, presbítero da Igreja Presbiteriana do Natal.

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