Morte de pastor sequestrado pelo Boko Haram leva cristãos a pressionarem governo da Nigéria

O pastor Lawan Andimi, que havia sido sequestrado pelo Boko Haram no dia 03 de janeiro, foi executado na última segunda-feira, 20 de janeiro, na Nigéria. Dias antes de sua morte ele gravou um vídeo no cativeiro pedindo aos familiares e irmãos na fé que se mantivessem calmos.

O grupo extremista muçulmano luta para extinguir o cristianismo da Nigéria, e nos últimos anos executou dezenas de milhares de cristãos no país. O pastor Andimi era membro da Associação Cristã da Nigéria (CAN, na sigla em inglês) e era uma das vozes na entidade que buscavam uma ação mais efetiva do governo contra o Boko Haram.

No vídeo gravado em cativeiro, Andimi demonstrou tranquilidade quanto ao desfecho: “Pela graça de Deus, estarei junto com minha esposa, filhos e colegas e, se a oportunidade não for concedida, então talvez seja a vontade de Deus. Todos os simpatizantes e colegas devem ser pacientes”, disse ele na ocasião.

De acordo com a Missão Portas Abertas, a execução do pastor pode ter sido por decapitação. A notícia de sua morte foi dada pelo jornalista Ahmed Salkida e confirmada pela CAN através de uma nota e pronunciamento de suas lideranças.

Antes de matar o pastor, os extremistas muçulmanos chegaram a negociar um valor pelo resgate, mas rejeitaram a oferta de US$ 100 mil e exigiam um valor superior a US$ 500 mil (mais de R$ 2 milhões na cotação atual).

O bispo Dami Mamza, um dos líderes da CAN, declarou aos jornalistas que as negociações pelo resgate do pastor Andimi haviam sido interrompidas dias antes de sua execução, por conta da inflexibilidade dos extremistas quanto ao valor cobrado.

“Eles ligaram para a esposa do pastor na última semana, informando que ele seria morto no sábado, mas de alguma forma esperaram até segunda”, disse Mamza.

O presidente da CAN, Samson Ayokunle, se pronunciou na terça-feira, 21 de janeiro, e descreveu o ocorrido como terrível, lamentável e afirmou que o episódio se tornou uma vergonha para o governo federal, que tem se mostrado incapaz de proteger os cidadãos nigerianos. Antes da ascensão do Boko Haram, a Nigéria era um país em que cristãos e muçulmanos conviviam pacificamente, com cada segmento religioso formando aproximadamente 50% da população.

O evangelista Kwamkur Vondip, diretor Legal e de Assuntos Públicos da CAN, também se pronunciou sobre a morte do colega de entidade: “Recordamos que, infelizmente, o falecido pastor Lawan Andimi, enquanto cativo, fez um apelo à liderança da igreja e ao governo federal por seu resgate. A igreja fez tudo o que estava ao seu alcance para assegurar a liberdade em segurança do pastor, mas isso não foi possível porque não tinha poder militar para fazer algo efetivo”.

O pastor Lawan, que também atuava como secretário do Conselho da Igreja Distrital de Brethren, no estado de Adamawa, deixou a esposa e nove filhos. Sua morte pressiona o governo num momento em que o Parlamento Europeu diz que o governo não está fazendo o necessário para por fim ao massacre do Boko Haram contra os cristãos no país.

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