‘Retrocesso lamentável’, diz diretor de entidade excluída do Conad

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Para Sidarta Ribeiro, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, o governo adota discurso anticientífico para a criação de políticas públicas

Por André Siqueira

access_time 22 jul 2019, 19h20 – Publicado em 22 jul 2019, 18h26

Representantes das entidades públicas e científicas que foram retiradas do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad), por decisão do presidente Jair Bolsonaro, classificaram a medida como um “retrocesso”. “O governo está expurgando a opinião que seja diferente da dele”, disse a VEJA o diretor da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Sidarta Ribeiro. 

Além da SBPC, deixarão de participar do Conad a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Psicologia (CFP), o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o Conselho Federal de Educação (CFE) e a União Nacional dos Estudantes (UNE).

“O que preocupa é que esta não é uma medida isolada. O governo Bolsonaro tem feito isso, o desmonte, em vários conselhos, como no Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), por exemplo. Trata-se da insistência em políticas governamentais anticientíficas”, disse Sidarta Ribeiro. “É uma série de ações equivocadas. O governo tem agido como aquela pessoa que, quando com febre, briga com o termômetro, quando deveria buscar o diagnóstico”, acrescentou.

Ele explica que o governo federal já tinha maioria na formação do conselho “para aprovar quaisquer pautas”. “Ainda que de forma minoritária, havia divergências dentro do Conad, porque é do interesse de qualquer governo escutar opiniões divergentes”, afirmou Ribeiro, que é professor de neurociências e diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). “Agora, trata-se de um rolo compressor. Não haverá nem a voz contrária.”

Em nota, a Comissão Especial de Segurança Pública da OAB expressou sua “preocupação com a exclusão dos representantes da sociedade civil e especialistas da discussão e elaboração de políticas públicas formuladas” no âmbito do Conad. A OAB afirma que as políticas públicas sobre drogas representam um “tema de grande complexidade e gravidade”, ressaltando o número de jovens que sofrem com a dependência química.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) lamentou a decisão tomada pelo governo Bolsonaro, vista como prejudicial à “elaboração de políticas públicas melhores ambientadas pela experiência da população e de profissionais que pesquisam o tema”.

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