Mal falada e bem-amada

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Presidentes adoram falar mal dela, mas não há um que se recuse a concorrer à reeleição

Por Dora Kramer

access_time 21 jun 2019, 09h06 – Publicado em 21 jun 2019, 09h05

Aprovada há quase 22 anos (dezembro de 2007), a reeleição para presidentes, governadores e prefeitos é um dos institutos mais mal falados entre políticos. Da boca para fora, evidentemente. Até seu patrocinador, o então presidente Fernando Henrique, já andou falando mal da criatura, defendendo sua extinção.

Nesse período de vigência, todos os mandatários eleitos repudiaram sua existência, mas nenhum deles deixou de recorrer a ela. Além de ser uma chance de se prolongar no cargo, representa no mandato em curso uma expectativa de poder. De onde, Jair Bolsonaro não é exceção. Quando disse nesta quinta-feira 20 que está pronto para disputar mais uma o fez de maneira oblíqua e nem aí inovou. Seus antecessores também douraram a pílula.

No momento em que aliados espicham os olhos da cobiça para sua cadeira (Mourão, Doria, Witzel e, dizem, Moro), o presidente aproveitou o ambiente de apoio eufórico da marcha de evangélicos para assegurar que “se não houver uma boa reforma política que acabe com a reeleição” ele partirá para a empreitada. A contragosto como se percebe pelo sorriso e o sinal de positivo nas fotos do evento.

A condicionante “se” em relação à reforma política foi posta na declaração apenas para amenizar as declarações contrárias feitas por ele durante a campanha. Muito relativo o que Bolsonaro consideraria uma “boa” reforma. Se for “má”, portanto, ele irá adiante. Foi o que disse na certeza de que deputados, senadores, prefeitos, governadores e pretensos candidatos a presidente não negação fogo contra a extinção de instrumento do qual todos eles são, serão e/ou seriam hipoteticamente beneficiários.

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